Consideradas apenas as irresistíveis vantagens que a abstração de funções de hardware pode promover para as operadoras de telecom e demais concessionárias de serviços públicos como as empresas de energia, saneamento, petróleo e portos, é natural que o primeiro ponto de atração dessas empresas em direção ao modelo NFV tenha se concentrado na questão dos custos.
 
Aliás, de modo bem mais abrangente, o movimento virtualizador ataca não só o custo imediato, mas todo o problema do TCO das infraestruturas de tráfego e de gerenciamento dos serviços críticos oferecidos por estas empresas.

De forma rápida e admirável, a virtualização ajuda estes prestadores de serviços a se livrar de alguns fardos históricos que sempre redundaram em elevação do CapEx e na hesitação em relação a novos projetos: estamos falando, por exemplo, da antiga dependência de appliances dedicados para as mais diversas funções e das consequências maléficas disto em relação à mão de obra, o oneroso suporte, a incompatibilidade das estruturas e a lentidão no provisionamento.

No caso especifico das empresas telcos e utilities torna-se evidente o avanço da virtualização, por exemplo, no conceito mais amplo de proteção e segurança das redes de comunicação que sustentam o ambiente operacional de controle de toda infraestrutura. Infraestrutura esta que está cada vez mais vulnerável frente ao crescente nível de organização e aparelhamento técnico  dos hackers. De fato, nunca se falou tanto em "cyber attacks" a estruturas de serviços como acontece hoje, e já são conhecidos, na prática, os impactos em perda de produtividade e prejuízos causados por tais ataques aos consumidores e empresas de serviços públicos essenciais.

Neste contexto, a virtualização de funções de rede em empresas utilities vem sendo rapidamente assimilada para implementar funções baseadas em software  que permitem controlar e desenvolver políticas especificas de segurança com níveis de duração dimensionadas para alguns anos, e que não  estão mais baseadas em um hardware de um fornecedor de tecnologia específico.

Com isto, as concessionárias de serviços se livram de ter de investir pesadamente em equipamentos que se tornam  obsoletos de forma rápida e, que geram, por outro lado, um alto nível de dependência, atrelando a segurança da rede a um tipo de planejamento que precisa ser dimensionado, no mínimo, para uma década.  Nota-se no exemplo acima, que a redução de custos propiciada pela virtualização não significa necessariamente a abolição do hardware.

Mas mesmo naqueles pontos da estrutura em que a NFV não abstrai de todo estas limitações de aparato físico funcional, um de seus impactos mais drásticos está em conter a expansão física da rede e, o que é mais importante,  tornar não obrigatória a antes inexorável expansão do hardware dedicado (ou proprietário). Com a virtualização, toda a evolução das redes pode passar a se basear em equipamentos commodities (tal como Intel x86), cujo preço é muito menor, o ciclo de vida é mais longo e a funcionalidade está atrelada não a um fabricante, mas em decisões diretas do marketing, da engenharia de projeto e das exigências do negócio no dia a dia das telcos ou utilities.

Estas vantagens de TCO, associadas à flexibilidade e liberdade de projeto foram, de fato, os principais motivadores do grande interesse que o modelo despertou entre os provedores de telecomunicações  e concessionárias de serviços públicos  e incentivou inúmeras iniciativas em projetos de inovação para sistemas para as redes programáveis. Na esteira dessas vantagens é que prosperaram inúmeras iniciativas de padronização da indústria, a partir de entidades multifornecedor ou multicliente, tais como ONF (Open Network Foundation); OpenFlow, D-NFV e ETSI (European Telecommunications Standard Institute).

Mas hoje, passados cerca de três anos do início das discussões e testes de campo, tanto os fornecedores de tecnologia quanto os prestadores de serviços já não têm dúvidas quanto ao futuro da NFV como tecnologia já incorporada às estratégias de custo. No momento atual do processo, o que está de fato em discussão são estratégias de adoção do modelo virtualizado frente aos riscos de perturbação que ela pode trazer aos negócios, além de questões relacionadas à sua pertinência, ou não, como alternativa de estrutura para as operações de core-business.

Tal deslocamento do problema é o que se verifica claramente na evolução das diversificadas rodadas de testes e de provas de conceito (PoCs) que, nesses últimos dois anos, agitaram a indústria de redes, mobilizando os fornecedores de redes,  de diversos portes e especialidades, a oferecer estruturas visando não só a abstração de hardware dedicado, mas também a melhoria do QoE (qualidade da experiência) e a maior flexibilidade de serviços. É o que se observa em novas soluções de interface, acesso, controle, operação e orquestração mostradas ao longo deste ano por fabricantes como RAD, Ericsson, Cisco, HP, Huawey, Alcatel-Lucent e tantas outras.

Neste contexto vale destacar o forte avanço da  alternativa de se virtualizar a interface de borda da rede pública com os limites da rede dos usuários. De fato, o novo modelo  vCPE ( de Virtual Customer Premises Equipment)  vem se demonstrando como uma opção capaz de viabilizar rapidamente a oferta de serviços virtualizados sem que, para tanto, as operadoras e concessionárias de serviços necessitem aguardar a revisão das redes de serviço. Através de módulos de terminação e interface (NID/NTU) instalados diretamente nos equipamentos de rede, que se tornam imediatamente aptos a adquirir serviços virtualizados no modelo D-NFV, um tipo de operação que hoje já obtém a adesão de inúmeros fabricantes de aplicações e sistemas de orquestração, muitos deles, inclusive, já alinhados em torno da D-NFV Alliance.

Aliás, indo além dos trials, a expectativa do setor predominante ao longo deste ano é a de que, a partir desse segundo semestre de 2015, diversas operadoras de telecomunicações e concessionárias de serviços  comecem a sair dos testes para a implementação em inúmeras implementações desse tipo.

A julgar pela rapidez com que os testes passam à condição de projetos, é de se esperar que, em 2016, a tecnologia NFV passe a integrar de forma bastante visível o cenário da infraestrutura em áreas como telecom, energia, saneamento, petróleo, portos e aeroportos.

Valter Teixeira é diretor geral da RAD do Brasil

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