20% dos profissionais brasileiros não recebem feedbacks de seus gestores. Foi isso o que revelou uma pesquisa da FIA Employee Experience, realizada em todo o País com 150 mil funcionários. Apesar de mais de 80% dos entrevistados considerarem o feedback uma ferramenta importante para seu desenvolvimento, por que dá-lo e recebê-lo ainda é uma fragilidade do estilo de liderança do brasileiro?

Segundo Silvia Spessotto, fundadora da consultoria de RH Evolluir, o feedback construtivo requer do líder preparo e autoconhecimento. Gestores não treinados para essa tarefa dão feedbacks superficiais, que mais confundem do que esclarecem, dificultando o desenvolvimento do funcionário. "O feedback também se torna inoportuno quando comunicado de maneira incorreta. Como executiva de RH há muitos anos afirmo que os problemas da gestão de pessoas ainda estão ligados à má qualidade da comunicação", diz.

Além do líder, a cultura de uma empresa também pode determinar a forma como o feedback é dado e recebido. "Normalmente os processos de avaliação de desempenho não facilitam a troca produtiva de feedback porque a empresa está mais preocupada em ranquear seus profissionais", afirma Silvia. Por outro lado, culturas organizacionais abertas à transparência, com mindset de aprendizagem constante, facilitam o feedback não traumático, pois focam na evolução e não na punição do colaborador.

E por falar em cultura, por que os brasileiros sofrem para dar e receber feedback? A especialista elenca alguns pontos:

• A herança colonialista nos ensinou que o trabalho pode ser sinônimo de medo. Assim, pouco se pode comunicar;
• Nossa cultura emotiva nos faz ter receio de magoar o outro, por isso somos superficiais e até formais em relação ao feedback;
• Nossos líderes são fruto de uma linha tradicionalmente autocrática, embora estejam lutando para mudar isto. Então, o que o líder diz é verdade absoluta, mesmo que ele esteja errado ou seja agressivo;
• Preferimos guardar mágoa em vez de conversar sobre ela.

"Essa cultura, no entanto, está em pleno processo de mudança. As soft skills (competências ligadas à inteligência emocional) estão sendo cada vez mais respeitadas e requeridas pelas empresas", diz Silvia. Já não era sem tempo.

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