Hoje, muito se fala sobre motivar os colaboradores em tempos de crise e como isso pode ajudar a manter seu negócio sadio e em constante evolução em tempos instáveis. Afinal, a empresa precisa dos colaboradores dedicados e empenhados para almejar o sucesso, não é mesmo? E uma equipe motivada faz toda a diferença nessas horas. No entanto, se explana muito também sobre um novo perfil de trabalhador, que está sempre em busca do novo, de desafios e, consequentemente, aberto a mudanças. Essa é a Geração Y, nascida na década de 80 e que presenciou os maiores avanços na tecnologia e mudanças no mercado de trabalho. Por consequência disso, esses jovens apresentam desejo constante de buscar novas oportunidades, experiências e uma ascensão rápida no trabalho. Esse novo perfil acaba gerando também uma instabilidade na equipe. Quando um grupo está entrosado e alguém sai, um novo processo de adaptação se inicia.  Por isso, mais do que nunca, é preciso colocar em prática algumas táticas para manter sua equipe feliz e estável.

Para a coach da Effecta Coaching, Janaina Manfredini, hoje as empresas têm perfis diferentes de colaboradores. A Geração Baby Boomer quer estabilidade e isso pode ajudar a manter sua equipe unida e com bons resultados, influenciando de maneira positiva a Geração Y. Mas é preciso que haja um entendimento e equilíbrio, principalmente de que todos têm capacidades e habilidades, pontos potenciais e pontos de melhoria. “A boa comunicação, o bom entendimento de perfis comportamentais, o velho e bom respeito, o ouvir o outro de verdade, a empatia, a humildade, o profissionalismo e todas as técnicas eficazes de comunicação, que são usadas em qualquer situação, servirão de pilares aqui”, explica Janaina.

A Brandili Têxtil, por exemplo, tem diferentes perfis de colaboradores, e por isso, tem como base a boa convivência diária, trabalhando sempre a motivação dos seus colaboradores. Isso trouxe muitos resultados satisfatórios ao longo dos 50 anos da empresa e alguns deles são os colaboradores que completam muitos anos de casa. Na empresa, alguns funcionários completam 10, 15, 25 e até 30 anos de dedicação e essa conquista é sempre comemorada com muito orgulho. Para os colaboradores, receber as premiações – somadas de cinco em cinco anos – têm sido motivo de orgulho. E esses colaboradores antigos pertencem a Geração Baby Boomer, que se caracteriza por pessoas com mais de 45 anos e que buscam um emprego fixo e estável. A empresa busca fazer com que haja uma união entre os colaboradores e uma troca de experiências. Eliani Nicoletti Formagi é costureira de protótipo na Brandili, onde trabalha há 30 anos. Inicialmente ficou na produção das peças que vão direto para o consumidor final e há cerca de 15 anos está na costura dos protótipos. Orgulho é o que move a dedicação pelo trabalho e é o que ela busca passar para os colegas. “Aqui, me sinto valorizada e respeitada, o que é muito importante pra mim. Somos um time e sempre nos ajudamos. Não tem nada mais gratificante do que imaginar e sonhar junto com a equipe um produto e ele sair como imaginávamos, é um orgulho imenso. São 30 anos de felicidade e amor pelo meu trabalho”, revela.

Eduardo Haffermmann também já passou mais de duas décadas na mesma empresa. Hoje ele é auxiliar ponta de esteira. Está há 25 anos na Brandili e, destes, 21 foram na mesma função. O conselho que deixa para os jovens é que pensem em como a estabilidade traz alguns benefícios. “A partir do momento que você se encontra em um trabalho e percebe que é o que ama fazer, não quer mudar. Segurança e estabilidade são essenciais para me manter feliz na vida profissional”, comenta.

A coach Janaina Manfredini reforça que todas as técnicas de liderança funcionam, independentemente de geração. Desde que se tenha a sensibilidade de adaptá-las para cada indivíduo. “Você não pode esperar que alguém seja como você tendo nascido décadas depois, com muito mais recursos disponíveis, muito mais opções  e, por isso, muito mais chances de errar nas escolhas que fazem. Então achar que sabemos tudo, seja para os mais velhos, seja para os mais jovens, é o gatilho para conflito. Pois uns têm experiências, muitas delas passadas, que já não se aplicam. Os outros não têm experiência e talvez tenham mais habilidades com os recursos disponíveis atualmente”, finaliza.

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