Morar perto do trabalho agora é um diferencial

Pergunte às 10 consultorias de recrutamento e seleção mais importantes do Brasil quais são as competências que decidem a contratação de um profissional hoje em dia e você verá que nenhuma dirá que morar perto do trabalho é um diferencial. Mas é. Segundo Cezar Tegon, presidente da Elancers, a principal empresa de sistemas de gestão de recrutamento e seleção do país, para muitas empresas ter um profissional que mora perto do trabalho é um fator decisivo na hora de contratar alguém:

“Hoje em dia, muitas pessoas têm formação e experiências similares. Quando a empresa se defronta com profissionais em um mesmo nível, morar perto do trabalho é o diferencial que vai levar à contratação. Essa questão tem ganhado importância crescente em função do aumento do trânsito. As empresas entendem que quem mora muito longe vai ter problemas para chegar e, em muitos casos, vai chegar com um nível de stress maior, o que fatalmente terá impacto na qualidade do trabalho”, explica Tegon.

Em São Paulo, os engarrafamentos com mais de 200 quilômetros em horários de pico tornaram-se comuns. De acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas, entre 2002 e 2012, passaram a circular 1,6 milhão de novos carros, o que equivale a uma média de 13 mil automóveis a mais todos os meses nas ruas da cidade. O trânsito do maior centro comercial brasileiro tornou-se caótico e impõe um custo anual de mais de R$ 40 bilhões, valor equivalente a 1% do PIB brasileiro e 7,5% do PIB paulistano.

Segundo Tegon, a maior prova de que morar perto do trabalho é um diferencial está no fato de que muitas empresas clientes da Elancers demandaram o serviço de geolocalização de candidatos, que a empresa acaba de lançar. Com a ferramenta, as empresas começam a procurar candidatos justamente pela proximidade do trabalho:

“O sistema de geolocalização de candidatos permite que a empresa informe o CEP da vaga e defina a distância máxima em que o candidato deve morar. A partir daí, o sistema vai mostrar os candidatos à vaga que vivem nessa região e é por essa informação que a empresa começa a avaliar candidatos potenciais. Não se trata de um filtro de CEP, mas sim geolocalização real. Esse tipo de demanda, ou seja, começar a avaliar candidatos que morem nas proximidades do trabalho, tem sido crescente em clientes como empresas de call center, lojas, restaurantes e até mesmo em escritórios”, explica Tegon.

Uma pesquisa produzida pelo Ibope em 2014 mostra exatamente a dimensão do problema: o paulistano gasta em média 2h46 por dia para se deslocar pela cidade. Por outro lado, quem trabalha perto de casa leva, em média, uma hora. Ou seja, a diferença de duas horas por dia em 240 dias úteis corresponde a 490 horas ou 20 dias de trabalho perdidos no trânsito ao longo de um ano.

De acordo com a consultora Luciana Tegon, sócia-diretora da Tegon Consultoria, empresa especializada em ações de recrutamento e seleção, a distância entre a casa e o trabalho tem sido uma preocupação tanto para a empresa quanto para o candidato. A longa distância, que está relacionada a qualidade de vida, é um dos principais motivos de pedidos de demissão nas empresas:

“O candidato pode ser bom, se encaixar no perfil da empresa, mas o fato de ele levar quase três horas por dia para se locomover pela cidade vai fazer com que ele perca qualidade de vida e comece a considerar trocar de emprego”, constata a especialista.

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