Trabalhar em casa é o sonho da grande maioria dos trabalhadores brasileiros, mas ainda é uma modalidade que encontra resistência por parte das empresas que alegam não ter como controlar o que esse funcionário está fazendo. Até há alguns anos essa afirmação poderia ser verdadeira, mas atualmente já existem soluções tecnológicas que monitoram, à distância, o andamento do trabalho.

Um setor que, aos poucos, começa a apostar no home office é o de atendimento ao cliente.  E grandes empresas, como a Atento, mantém projetos neste sentido e já vem colhendo bons resultados em relação à produtividade do agente, que é maior da apresentada pelos que batem cartão em um dos sites da empresa.

“O home office oferece às empresas uma nova opção de solução de gestão de relacionamento”, comenta Regis Noronha, diretor executivo de estratégia e marketing da Atento no Brasil. “Em nosso caso, contribui para aumentar a produtividade, obter maior satisfação dos consumidores, reter talentos e aumentar a flexibilidade para expansão das operações, bem como para reduzir faltas dos funcionário e diminuir custos em geral”. Noronha também pontua que a opção pelo trabalho à distância faz com que a empresa também contribua para a inclusão social de pessoas com deficiências,  em cumprimento da Lei 8213/91.

“Para os profissionais, por sua vez, faz com que eles tenham uma melhora em sua qualidade de vida, já que podem programar suas atividades diárias e reduzir o tempo desperdiçado no trânsito, o que, indiretamente, beneficia a sociedade ao reduzir a poluição ambiental, devido a menor geração de gases poluentes”, explica.

Qualquer um se adapta à modalidade?
Mas, apesar dos benefícios para o trabalhador, não são todos os que contam com o perfil ideal para o home office, então a empresa tem que tomar cuidados na hora da seleção. “O processo seletivo inclui desde a identificação de perfil diferenciado e adequado às necessidades dos clientes, até uma avaliação criteriosa da residência do candidato, para verificar se o ambiente tem condições de receber toda a infraestrutura para a realização das atividades”, explica Noronha. “Ou seja, um local apartado, com mesa e cadeira adequadas, um computador e conexão de internet, com toda a infraestrutura aderente à normativa NR-17, que estabelece parâmetros que possibilitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos funcionários”.

No começo do projeto, os primeiros participantes foram escolhidos entre os funcionários da empresa que apresentassem  o perfil desejado. “A área de Recursos Humanos da Atento analisou os perfis e verificou se eram aderentes para a migração para a modalidade”. Entre os requisitos, explica Noronha, “estavam a experiência do trabalho realizado nas operações, o perfil mais independente e proativo, bons resultados na Avaliação de Desempenho, além de possuírem toda a infraestrutura necessária para o trabalho. Hoje já estamos prontos para contratar direto para uma operação de home office”.

Para isso, a empresa também investiu em uma infraestrutura totalmente adaptada para a modalidade, com processo seletivo interno exclusivo e treinamentos à distância. “Oferecemos também auxílio de custo para despesas com internet e energia elétrica e realizamos com frequência pesquisas de clima e satisfação. Tudo isso visando que o funcionário, mesmo estando em sua casa, tenha os mesmos recursos de desenvolvimento profissional das pessoas que trabalham in loco na Atento”, pontua o executivo.

E, em relação à parte técnica, a empresa utiliza softwares de virtualização de desktop e de segurança da informação, “além de uma sólida estrutura de servidores, telefonia e ferramentas de controle de produtividade e biometria, para criar um sistema estável e escalável”. Noronha também destaca que foi criado um ambiente diferenciado, com monitoramento 24x7, com administração online e em tempo real de todas as atividades profissionais, “com protocolo de virtualização que utiliza recursos de servidores da Atento, tendo o computador do funcionário como um conector seguro de acesso à sua área de trabalho.

Futuro do projeto
Com um aumento médio de 20% na produtividade do funcionário, a resposta é clara, mas que depende do cliente da empresa aceitar a modalidade. “Sim, acreditamos no projeto e a ampliação depende de interesse de nossos clientes em apostar nessa modalidade. Isso porque já identificamos um aumento médio de 20% na produtividade da operação, melhor relação custo/benefício, assim como maior retenção de talentos e menor absenteísmo, devido a melhor qualidade vida. O projeto propiciou também maior inclusão social de pessoas com deficiências”, comenta Noronha.

O executivo também acredita que o home office é uma tendência e a opção pela modalidade crescerá no futuro. “O home office ajuda reduzir o tempo gasto no deslocamento nas grandes cidades, assim como auxilia na melhoria de qualidade de vida das pessoas. Simultaneamente, contribui também para a melhoria da relação custo/benefício das empresas e para a ampliação da produtividade. Mas sua viabilidade depende de infraestrutura tecnológica de qualidade e de soluções modernas de segurança da informação”, alerta. “Além disso, é necessário fornecer todos os recursos essenciais ao desempenho qualitativo e quantitativo do funcionário e ter controles eficientes, que garantam a realização das tarefas acordadas”.

Mas o crescimento na utilização da modalidade só crescerá se os contratantes a abraçarem e os projetos não exigirem que o atendimento seja feito na empresa. “Outro fator a se avaliar é que adotar esta modalidade depende da necessidade dos clientes da Atento, pois cada projeto possui demandas específicas”, finaliza.

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