Ao longo de muitos anos, o conceito de luxo esteve atrelado ao de posse. Esta visão, porém, sofreu mudanças e hoje o luxo está relacionado também a experiência e  personalização, não apenas ao alto preço de produtos no mercado. Este novo conceito, identificado recentemente por meio de diversas pesquisas com consumidores, é tema de relatório que o Sistema de Inteligência Setorial (SIS) produziu para empreendedores do segmento de moda.

O mercado de luxo como o conhecemos (artigos de alto padrão, para poucos bolsos) se manteve em alta no Brasil, mesmo nos anos de crise: em 2016, cresceu 9% (com faturamento de R$ 33,9 bilhões), enquanto o Produto Interno Bruto do país recuou 3,6%, segundo estudo da MCF Consultoria, especializada neste segmento. Mas além deste seleto grupo de consumidores com alto potencial de compra, há uma nova percepção sobre o que é luxo.

A pesquisa "Significado do Luxo para os Brasileiros: Experiências e Consumo", realizada em 2015 pelo SPC Brasil e o portal de educação financeira Meu Bolso Feliz, mostrou que, para 26% dos entrevistados, um produto ou serviço de luxo é algo exclusivo, ao qual poucas pessoas têm acesso. É mais do que o percentual de entrevistados (20%) que vê o luxo em produtos caros, que apenas quem tem muito dinheiro pode comprar - uma crença mais comum entre os consumidores mais velhos, segundo a pesquisa. Para os mais jovens, o luxo é considerado mais acessível, independente da classe social. 

Isso leva ao conceito de democratização do luxo: para viver uma viagem luxuosa, não é preciso ir para muito longe ou gastar muito dinheiro, basta planejar um destino que proporcione experiências distintas e marcantes - um passo importante para abrir novas possibilidades de mercado a outros perfis de consumidor. Se o luxo é a soma de exclusividade e experiência, este mercado pode ser facilmente incorporado por empresas locais e de menor porte. Uma marca local do ramo da moda que incorpore elementos regionais e personaliza toda a experiência de consumo do cliente pode, então, oferecer um produto com o conceito mais contemporâneo de luxo.

Modelos de negócio em alta e cases de sucesso
Para quem busca uma referência no mercado, o relatório do SIS/Sebrae destaca o exemplo da Farfecht, uma plataforma online que reuniu em um único lugar a comercialização de roupas e acessórios com foco somente em marcas de alto padrão nacionais e internacionais. Ao servir como referência a clientes que gostam de exclusividade e experiências de compra, a Farfecht descobriu duas lacunas no mercado de luxo: a dificuldade de marcas para se estabelecer no meio digital (40% delas não tinham presença online) e o fato de que 9 entre 10 clientes do mercado de luxo compram pela internet.

Outro case para empreendedores do setor de moda é o da Troca de Luxo, em São Paulo, que segue o conceito de brechó boutique. A intenção da empresa é reunir marcas com peças exclusivas, que podem ser novas ou seminovas, que estejam acessíveis ao público que prestigia grifes de alto padrão mas que não necessariamente queira acumular as peças - isso porque o cliente pode vender o produto e usar o saldo para outras aquisições, estimulando trocas e um consumo mais consciente.

No mercado de luxo desde 2010, a estilista e empresária Camila Fraga costumava receber suas clientes de maneira exclusiva e mais intimista em seu ateliê. Aos poucos, o público foi aumentando e o espaço ficou pequeno - foi o início de um novo negócio que ela criou em Florianópolis, a Casa Fraga, um espaço de 500 m2 e três andares que busca a união entre clientes que buscam serviços de alto padrão e marcas de luxo de segmentos como eventos sociais, moda, bens de consumo e lifestyle.

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