Os profissionais de marketing (e as marcas) não se cansam dos Millennials, na verdade, eles são a geração mais pesquisada da história. Eles são de uma era com Internet e, como dominam a mão de obra e têm muito poder de compra, as marcas, as empresas de pesquisa e os “profetas” de tendências dedicaram muito tempo e dinheiro aprendendo como vender para eles.

A Geração Z, por outro lado, ainda é um mistério para a maioria das marcas. São crianças e adolescentes que nunca experimentaram um mundo sem Internet, rede social ou smartphones. Eles são ainda mais céticos, menos fiéis à marca e mais avessos à falta de sinceridade corporativa do que a Geração Y. Eles usam as redes sociais de um jeito único e consomem conteúdo de maneira diferente.

Os profissionais de marketing seriam sensatos de conseguir uma vantagem inicial ao entender esse grupo. Afinal de contas, a Geração Z já totaliza 25% da população e até 2020 vai aumentar para 40% de todos os consumidores nos EUA.

Neste post, vamos dar uma olhada de perto na Geração Z, como eles se distinguem dos Millennials, como eles usam as plataformas sociais e o que os profissionais de marketing podem fazer para ganhar seus corações.
Quem é a Geração Z?

A Geração Z é o grupo que vem logo depois dos Millennials. Os demógrafos geralmente colocam os anos de nascimento deles entre 1995 e 2010, ou seja, hoje eles têm entre cinco e 20 anos de idade, à beira de atingir a maioridade.

O especialista em Millennials, Ryan Jenkins, os resume assim
A Geração Z é a primeira geração verdadeiramente global com interesses e caminhos ilimitados de aprendizagem. Eles foram criados em uma cultura hightech, hiper-conectada e imediatista. Alguns especialistas esperam que o mantra da Geração Z seja ”coisas boas acontecem para aqueles que agem”. Nada impedirá essa geração autodidata, de espírito empreendedor, altamente educada de deixar sua marca no mundo.

Eles viveram tempos difíceis
Os Millennials são a geração da inocência perdida. Suas infâncias leves, despreocupadas e muitas vezes privilegiadas foram subitamente interrompidas por uma série de acontecimentos preocupantes, a começar com o 11 de setembro. Mas essa realidade é tudo que a Geração Z já conheceu. Sua consciência coletiva é de um Estados Unidos pós-11/09, em guerra, economicamente instável. Isso é reforçado por filmes apocalípticos e pela bagagem da mudança climática sob seus ombros. Eles são confrontados com realidades duras desde o início, o que os tornou um grupo realista.

Eles aprenderam com os erros dos Millennials
A Geração Z observou seus irmãos mais velhos assumirem uma dívida maciça em empréstimos estudantis, muitas vezes tendo de mudar de casa após a formatura porque a recessão nos EUA tornou difícil encontrar emprego. Como resultado, algumas pessoas caracterizam essa geração como tendo uma abordagem mais pragmática para suas carreiras, com vontade de explorar caminhos profissionais tradicionais como ensino e enfermagem. Eles também se dizem mais conscientes dos preços e valorizam a estabilidade financeira sobre a realização pessoal em suas vidas profissionais.

Enquanto isso, outros dizem que esta é uma geração de empreendedores que definem seu próprio caminho – muitos renunciam trabalhos típicos de verão para começar seus próprios empreendimentos. Tenha em mente que, com o mais jovem dessa geração mal tendo completado o primeiro grau, falar de como eles abordam o mercado de trabalho é apenas especulação.

Eles são rápidos em ignorar conteúdos que não chamam sua atenção imediatamente
Muitos se preocupam com o fato de que a Geração Z tem a menor capacidade de concentração de todas as gerações até agora, mas este ponto de vista é bastante simplista. Na verdade, eles são incrivelmente adeptos a filtrar rapidamente o conteúdo no qual não têm interesse de ver para dedicarem mais tempo ao conteúdo que seja relevante – Jeremy Finch chama isso de “filtro dos oito segundos”. Isso significa que entender como chamar a atenção dos consumidores é ainda mais importante com essa geração.

Como a Geração Z usa as redes sociais?
Membros da Geração Z eram crianças quando o mundo estava conhecendo o lado negro da rede social – especialmente as consequências provenientes de posts descuidados e do excesso de compartilhamento. Professores foram demitidos, crianças foram expulsas de times esportivos por publicarem fotos de bebidas no Facebook e adolescentes passaram pela terrível humilhação de terem seus textos particulares expostos ao mundo. Naturalmente, eles são um pouco mais céticos em relação à rede social do que seus irmãos mais velhos.

A Geração Z tem sido rápida em adotar plataformas como Snapchat, que exclui posts após alguns segundos, e Whisper, que permite às pessoas confessarem anonimamente seus segredos mais profundos e pensamentos mais particulares. Cada vez mais, contratempos embaraçosos nas redes sociais estão se tornando uma coisa do passado.

Esta geração responde a conteúdos que pareçam honestos e reais, por isso que apps de natureza efêmera como o Snapchat são tão populares entres eles. A Geração Z viu a geração mais velha moldar suas vidas perfeitamente para a Internet, mas eles estão mais inclinados a optar por posts mais do momento livres de edição pesada.

Enquanto isso, a Geração Z migrou para canais mais visuais, como o Instagram. Mas eles usam para acompanhar as atividades cotidianas dos amigos, enquanto os Millennials geralmente preferem uma versão dos maiores hits de suas vidas, principalmente postando fotos quando estão de férias ou comemorando ocasiões especiais. Além disso, a Geração Z é mais ativa no YouTube, adora usar o Vine por causa de seus recursos de edição de vídeo fáceis de usar e acha que Pinterest e falar ao telefone são coisa de gente velha.

O que isso significa para os profissionais de marketing?
Agora que já mostramos o que molda o comportamento e as preferências da Geração Z, aqui estão quatro insights que podem ajudar os profissionais de marketing a criarem campanhas mais eficazes para essa galera.

1. Seja verdadeiro com a Geração Z
Os Millennials são conhecidos como a geração que constantemente ouvia: você é especial e pode fazer qualquer coisa que sua mente queira. A Geração Z, por outro lado, geralmente é considerada mais prática; crescer numa época de incertezas econômicas tornou essa geração menos propensa a buscar fama e fortuna rápidas, e é mais cuidadosa com dinheiro.

As marcas devem oferecer produtos que sejam investimentos inteligentes e não soluções rápidas para problemas temporários. Esta geração não será facilmente comprada pela publicidade, e o apoio de celebridades provavelmente não fará mágica.

A Geração Z não se importa tanto com influenciadores quanto os Millennials - eles levam a sério o conteúdo de defensores de marca que dão suas opiniões honestas e de livre e espontânea vontade. As marcas têm de provar que seus produtos e serviços agregarão valor aos consumidores da Geração Z, e elas terão de ganhar a fidelidade deles fazendo mais do que fizeram com os Millennials. Além disso, se quiserem atingir esse grupo, as marcas precisarão construir uma comunidade de defensores fiéis e incentivar o feedback e a participação.

2. Celebre a diversidade deles
A Geração Z cresceu com um presidente negro, a esperança de uma presidenciável mulher e a legalização do casamento gay. Ela também é a geração mais diversa, com um aumento de 50% da população jovem multiracial desde 2000.

De 2000 a 2010, a população hispânica nos EUA aumentou 4x a taxa da população no geral, e o número de norte-americanos que se identificam como uma mistura de negros e brancos e brancos e asiáticos também aumentou imensamente. Essas grandes mudanças nos dados demográficos significam que a Geração Z não pensa em sua diversidade como algo novo ou excitante, mas como sua realidade.

Os profissionais de marketing terão de encontrar maneiras de criar conteúdo que ressoe com a geração mais diversa na história dos EUA, tendo em mente que a diversidade é parte integrante da identidade coletiva dessa geração. Isso vai além da raça e expressão pessoal, diversidade também é grande parte da atitude da Geração Z em relação ao estilo pessoal. Ser “tendência” não importa tanto quanto importava para as gerações anteriores, e eles são bem menos apegados aos papéis tradicionais de gênero que qualquer geração antes deles. Eles têm um forte senso de “você é o que você faz” e são conhecidos por sua mentalidade “normcore” (normal ao extremo) que evita modismos fugazes.

3. Se importe com o mundo deles tanto quanto eles se importam
Essa é a geração que acha que tem a responsabilidade de salvar o mundo pesando em seus ombros. Logo herdarão um planeta em desordem – o clima está fora de sintonia, na melhor das hipóteses a economia é questionável e as taxas de terrorismo nos EUA têm aumentado drasticamente desde que eles nasceram.

Eles se preocupam muito com o mundo e são fiéis às marcas que também se preocupam. Eles querem produtos de alta qualidade que durem, que sejam produzidos de maneira ética e que tornarão o mundo melhor de alguma maneira. Se a empresa tiver um compromisso com a sustentabilidade ambiental ou ajude causas sociais, esta geração vai notar, cuidar e ser fiel à marca.

4. Seja breve
A Geração Z cresceu na frente de telas e são multitarefas em cinco monitores por vez. Hannah Payne, uma aluna da U.C.L.A. e blogger fashionista de 18 anos disse ao The New York Times:

“Somos os primeiros nativos digitais verdadeiros. Sou capaz de simultaneamente criar um documento, editá-lo, postar uma foto no Instagram e falar ao telefone, tudo a partir do meu iPhone.”

Alguns dizem que a Geração Z tem a menor capacidade de concentração de todas as gerações, mas na verdade eles são profissionais na arte de filtrar conteúdo social sem importância. Eles preferem experiências otimizadas para várias telas que não exijam um trabalho excessivo deles. Eles se engajam com vídeos e são grandes fãs de interações ao vivo com as marcas. Essa geração não é cegamente fiel, mas se você ocupar o precioso tempo deles com experiências incríveis e significativas, certamente ganhará a confiança deles.

Voltando aos princípios básicos
O principal conselho para os profissionais de marketing é: volte ao essencial. Seja simples, autêntico e natural. Quando se trata de social, conecte-se à Geração Z através de conteúdo gerado pelo usuário e surja como digitalmente nativo. Ao invés de tentar parecer polido e distante, se esforce para infundir sua marca com qualidades humanas reais semelhantes às que você valoriza em seus clientes.

As vidas cotidianas da Geração Z misturam-se continuamente com suas vidas no social, e muitas das suas características definidoras derivam desta continuidade. Os profissionais de marketing terão de se esforçar mais do que nunca para interagir de maneira autêntica com esta geração de consumidores, mas se o fizerem, eles serão recompensados por uma audiência que adora se envolver com marcas e defender seus produtos.

Shauntle Barley é Analista de Conteúdo na Sprinklr

Publicado originalmente por Scup

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